segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ANJOS

Na superfície da minha alma
Voam anjos cruéis.
Com suas faces rosadas
E seus sorrisos insanos,
Lançam flechas que vagam
Pelos corações humanos.
Meu coração ferido procura
Alívio nos lábios amados,
Mas estes estão selados
Com o "não" que você me deu.
Agora sinto-me aflita
E cheia de amor eu vago
Dentre tantas almas, buscando
Encontrar-te num espelho d'agua.
Meus olhos, banhados em lágrimas,
Antes tão iluminados,
Hoje não sabem brilhar.
E os anjos, do alto de sua eternidade,
Olham-me com simplicidade,
Como se estivesse fadada
A viver e morrer de amar...

domingo, 7 de agosto de 2011

AUSENTE

Me sinto tão só e sei que nada depende de ti.
Me sinto isolada e abstrata,
Me sinto amarga, envelhecida pela dor,
Pela saudade que me acompanha.
Por que não me abandona
Essa saudade insistente?
Se tudo pudesse ser de repente,
Talvez eu não estivesse tão só...
Talvez estar só seja apenas saudade
E a saudade seja um novo jeito de amar,
Mas não vou negar que dói,
Não vou dizer que é fácil,
Que posso suportar sozinha.
Me sinto só num mundo de milhões.
Me sinto ausente de mim,
Pois só existo em você
Que está tão longe daqui...
Sempre.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PSEUDO-FELICIDADE

O meu amor tem vários nomes,
O meu amor é um homem
Que sente, sofre e chora.
Um ser, humano e inconstante.
O meu amor é o instante
Mais doce e mais puro que vivo,
O mais sincero sorriso.
O meu amor é o paraíso e 
O inferno ao mesmo tempo.
É meu doce veneno,
Meu sonho e meu tormento.
O meu amor tem vários nomes,
O meu amor é um menino
Que sofre e tem medo
De ficar sozinho,
De estar no escuro,
De perder sua pseudo-felicidade,
De entregar seu coração.
O meu amor tem vários nomes,
O meu amor é só saudade,
É interminável solidão.

ESTOU MORTA

Uma criança aproximou-se de mim e disse,
Com sua doce inocência febril:
- "Ele está morto!"


Há quanto tempo estamos mortos?
Já nem me lembro das solidões
E os amargos gostos provados
No mais completo desprezo.
Me vejo tão morta agora
E acima de tudo feliz
Porque já se foi a saudade
E a lembrança que te fiz,
Te faço, te sonho sempre
Só, somente, afora algo mais
Que eu queira dar-te
E receber, numa justa troca
De silêncios e olhares
Vazios, como se o mundo fosse
Peso morto, corpo absorto
Em pensamentos hostis.
Divago lembranças mórbidas,
Saudades esquecidas
No calor desse arrepio
Amargo e morto.

O QUE SOMOS...?

Você diz que me ama, mas
É tudo tão estranho
E passo meus dias sonhando
Estarmos sós e longe.
Sempre cada vez mais loucos
De amor sublime,
Pensando que o mundo é apenas
Esperança e, muito mais
Que amar, devemos estar
Loucos e sóbrios
De tanta saudade.
Embriagados num mundo 
De dor e serenidade,
Lembranças e despedidas,
Ilusões, doces momentos vividos,
Meras passagens caladas.
Somos tempestade e dores,
Lágrimas silenciosas
De tempos passados,
Somos luzes e sombras,
Somos medos, lembranças,
Somos tudo o que há por vir
E esperar que sejamos também
Juntos, um dia longe,
Um dia breve,
Uma vez mais...
Saudade.

SÓ...

Um momento...
E o mundo é seu.
Um segundo...
E você se perde.
Um vazio...
E você se vê.
Um instante...
Só eu e você.
Assim, aos poucos,
Eterno e solene.
Assim, tão breve,
Tão doce e perene.
Amando simplesmente
Só.

CONSTATAÇÕES

A beleza está nos olhos.
A maldade está na língua.
A idade está na mente.
A lembrança está no corpo.
O seu gosto está na boca.
A saudade está no peito.
A verdade está no gesto.
E eu estou perdidamente
Apaixonada por você...